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Como criar um canto de leitura – e viver melhor

Pode acreditar: cultivar o hábito da leitura (hoje pouco valorizada) tem mais vantagens imediatas do que você imagina. Duvida? Veja algumas:

É ótima companhia – e você pode escolher a vontade. Não cobra respostas, sem DR, e sem grandes riscos. Com  livros físicos ou virtuais, revistas ou jornais ela é essencial, entre outras coisas porque proporciona uma pausa necessária e silenciosa em um mundo extra acessado…

Informação – conhece a frase “informação é poder”? É exatamente assim: a leitura proporciona informação, formação e conhecimento que, nunca mais poderão ser tomados de você. E não ocupam lugar, além do fato que, em algum momento da vida serão muito úteis. É esperar e ver.

Repertório – você não precisa ser um gênio, mas o fato de ter contato com vários assuntos através de livros, faz de você uma pessoa mais interessante e versada. Ao ler – qualquer que seja o tema – viajamos para outra dimensão, aprendemos e vamos nos transformando sem perceber em pessoas mais seguras, pois adquirimos uma série de ferramentas para utilizar no dia a dia. As chamadas (e valorizadas) soft skills…

O Desafio – para desfrutar melhor esse luxo é preciso um canto voltado apenas para a leitura. A parte prática é mais fácil: uma poltrona ou sofá confortável, uma almofada macia (ou qualquer outro apoio para as costas) e uma boa iluminação, claro. Uma estante de livros  é essencial: significa que seus livros favoritos  estarão sempre mão para um momento de leitura. 

A parte mais difícil é desacessar e colocar o smartphone no vibra ou mesmo desligar… Os leitores fanáticos fazem isso  facilmente. Mas os iniciantes podem ter dificuldade. Beleza: coloque no vibra e deixe afastado do corpo.

Ainda, lembre que esse é um lugar onde você pode sentar e respirar de modo que pense em coisas que fazem você se sentir feliz e tranquilo e traga esses elementos para perto sem medo de ser feliz.

Dica – onde quer que você escolha, certifique-se de  que não seja um local onde possam te interromper. É preciso deixar claro a necessidade de sossego. Se está achando difícil, saiba que depois do primeiro livro devorado porque você acertou o assunto e o autor (e são tantos!!), você vai  entender a expressão “os livros alimentam a alma” e vai até se esquecer de comer de verdade. Pode conferir – e me conta.




Corpos Secos – o livro que me fez surtar

A ação se passa num Brasil devastado por uma praga misteriosa, onde corpos humanos se decompõem, mas não morrem de verdade. É classificado como romance, mas para mim, é terror. No mínimo, suspense. Envolvente e, às vezes, um pouco assustador. A leitura não é leve, vemos isso logo nas primeiras linhas.

O tema apocalipse é tratado de uma forma muito visível e “sentível”. De fato, entramos naquele mundo, pois é passado no nosso país, conhecemos os lugares, passamos por eles.  Sentimos o que cada personagem está sentindo, é muito real. Nunca na minha vida, joguei um livro longe – esse foi o primeiro – mas não por ser ruim, muito pelo contrário. Juro!!!

É como os autores nos dessem três tapas na cara para nos lembrar que o que estamos lendo não é um conto de fadas com final feliz! Fiquei dois dias sem ler mais nada, muito chocada. Mas vale muito a leitura e vocês vão entender o porquê. É adrenalina pura do começo ao final.

Uma coisa que nos prende é a mudança de escrita em cada capítulo, de primeira para terceira pessoa. Lógico, com quatro autores, cada um cuidando de um personagem, é de se esperar que sejam estilo diferentes. Achei muito legal. Cada um contando o seu ponto de vista do apocalipse zumbi.

Os autores são tão geniais que mesmo os capítulos sendo curtos – no máximo 10 páginas – eles conseguem nos fazer criar algum tipo de sentimento pelo personagem. E que por um lado, muda drasticamente ao longo da história. Com referências bibliográficas, memes e uma certo nível de ironia.

É um livro com vários questionamentos e as reflexões. E, cada um vê de um jeito e tá tudo certo. É assim que funciona a leitura. Lembrando sempre: estamos num APOCALIPSE DE CORPOS SECOS (ZUMBIS) e nunca passamos por isso.

Será que estamos nos acostumando a viver absurdos? Essa é uma das grandes questões levantadas. Olhar pela janela e ver corpos desidratados sem sentir nada… Será que, em meio a tanta tragédia e crise, a gente vai se tornando insensível? No livro, o absurdo vira rotina, e isso nos faz pensar se, na nossa realidade, já estamos num ponto em que nada mais choca, seja por indiferença ou puro cansaço.

Outra questão pesada: é possível abrir mão dos nossos princípios morais para sobreviver? A sobrevivência em Corpos Secos exige escolhas difíceis. Até que ponto você conseguiria se manter ético em meio ao caos total? Se seu melhor amigo virasse um “corpo seco”, você seria capaz de acabar com o sofrimento dele, mesmo que isso te fizesse sentir um assassino? O livro nos coloca nesse dilema ético o tempo todo: quando é aceitável quebrar nossos princípios?

E qual seria o limite para garantir a própria sobrevivência? O que você faria para continuar vivo? No livro, os personagens vão ao extremo, usando banha de corpos mortos, questionando até onde se pode ir para não morrer de fome. Mas será que há um limite? Ou o instinto de sobrevivência fala mais alto que qualquer regra moral?

Em Corpos Secos, a ideia da inocência das crianças é desafiada. Como manter a inocência em um mundo onde a sobrevivência é a prioridade número um? E talvez a pergunta não seja só “para onde vai a inocência?”, mas sim: como podemos, como sociedade, proteger essa parte tão essencial das nossas crianças em tempos de crise?

Outro ponto abordado é o colapso das instituições. O governo, no livro, está completamente perdido, deixando a população à mercê da própria sorte. E aí surge o dilema: em quem confiar quando as instituições falham? Quem detém o poder quando o Estado não consegue mais garantir a segurança básica? O livro é uma crítica pesada à fragilidade das estruturas políticas e sociais em tempos de crise.

Corpos Secos nos obriga a pensar em como reagiríamos em uma situação de colapso. Será que somos mesmo capazes de manter nossa humanidade quando o mundo desmorona ao nosso redor? E você, quem seria nesse cenário? A pessoa que luta para manter seus valores ou alguém que faz o que for preciso para sobreviver?

Serviço – Título Corpos Secos

Autores – Luisa Geisler, Marcelo Ferroni, Natalia Borges Polesso e Samir Machado de Machado

Gênero – distópia mix de terror e ficção científica 

Editora – Alfaguara




Conflito de Gerações!

Um dia desses joguei um jogo chamado Perfil e jogamos em trio: cada um era uma geração. E sim, deu confusão. E daquelas. Fiquei pensando depois, por quê? Porque cada geração pensou diferente para chegar na mesma resposta, mas não queriam aceitar o caminho de cada um.

Quando falamos sobre gerações, fica claro que cada uma tem sua própria visão de mundo, e, claro, sobre as outras também. Seja o Baby Boomer achando que os mais novos não sabem o que é trabalhar de verdade ou o “Gen Z” achando que todo mundo mais velho está “por fora” e tem eu, a “Millennial” no meio, que sei todas as respostas!

Percepções geracionais têm seus altos e baixos. Vamos dar uma olhada em como cada geração se vê e como enxerga as outras  – talvez ajude a médio e longo prazo a nos relacionar de maneira mais fácil e fluida…

Baby Boomers (nascidos entre 1946 e 1964) – a geração dos meus pais e da maioria dos pais dos amigos. Eles cresceram num período de grande otimismo pós-guerra. Para eles, a vida era sobre construir uma carreira sólida, ter uma casa e “vencer na vida” com trabalho duro. Eles se veem como uma geração que construiu o mundo moderno, e errados não estão.

Mas como eles veem as gerações mais jovens?  São vistos como impacientes e pouco resilientes. Acham que as gerações atuais querem sucesso rápido, sem ter que “ralar”. Além disso, os Boomers podem ter dificuldade em entender o valor que os jovens dão à saúde mental e ao equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.

Geração X (nascidos entre 1965 e 1980) – a famosa “geração esquecida”, pois cresceram entre a rigidez dos Boomers e a explosão digital dos Millennials. Eles se veem como independentes, resilientes e, muitas vezes, como os que precisaram se virar sozinhos. São a geração do “faça você mesmo”.  Eles tendem a enxergar os Boomers como um pouco antiquados e rígidos demais, ainda presos a um modelo de vida que nem sempre funciona no mundo moderno.  Já sobre os Millennials e Gen Z, embora tenham respeito pelos mais novos e suas ideias inovadoras, às vezes acham que essas gerações são um pouco mimadas e reclamam demais. Contudo, admiram a forma como os mais jovens abraçam a tecnologia.

Millennials (nascidos entre 1981 e 1996) – a geração que cresceu com o boom da internet e com a crença de que poderiam ser “tudo o que quisessem”. Eles se veem como uma geração criativa, adaptável e disposta a buscar mudanças. Para eles, qualidade de vida importa tanto quanto (ou mais que) sucesso profissional.  Acham que os Boomers não entendem a realidade atual. E sentem que foram forçados a viver em um sistema que não se aplica mais, onde conseguir um emprego e ter uma casa não são tão fáceis quanto eram antes.  Há respeito pela Geração X, especialmente pela independência que eles demonstram. Mas também acham que podem ser um pouco cínicos e acomodados. Têm uma relação meio de “amor e ódio” com a Geração Z. Por um lado, admiram o ativismo social e a fluidez que eles têm com o mundo digital. Por outro, sentem que eles expectativas irreais e que são ainda mais imediatistas.

Geração Z (nascidos entre 1997 e 2012) – nativos digitais, os Gen Zers não conheceram um mundo sem smartphones e redes sociais. Eles se veem como uma geração que desafia normas e abraça a diversidade e a mudança. Eles são ativistas naturais e estão sempre prontos para questionar o status quo. Sobre os Boomers e Gen X, para eles, essas gerações muitas vezes parecem desatualizadas. Eles sentem que os mais velhos têm dificuldade em entender questões modernas, como identidade de gênero, mudanças climáticas e o impacto da tecnologia.  Já os Millennials são como os irmãos mais velhos que abriram muitas portas, mas ao mesmo tempo, acham que os Millennials são um pouco dramáticos e nostálgicos demais (afinal, quem ainda fala tanto dos anos 90?).

Ora, cada geração tem seus pontos fortes e fracos e é natural que, às vezes, uma não entenda a outra. Mas o segredo para uma convivência melhor está no respeito e na empatia. As gerações anteriores podem ensinar muito sobre resiliência e trabalho duro, enquanto as mais novas trazem inovação, diversidade e novas formas de ver o mundo. Afinal, todos estamos aprendendo uns com os outros — e isso é o que realmente importa, só gostaria que a Geração Z entendesse a importância de ouvir as histórias que os Baby Boomers têm para contar. E a falta que vai fazer quanto eles não estiverem mais aqui.




Fahrenheit 451, Ray Bradbury

Escrito por Ray Bradbury  em 1953, Fahrenheit 451 é uma da ficção distópica que continua atual. Situado em uma sociedade onde livros são proibidos e queimados, o livro aborda temas como censura, superficialidade e a busca pela felicidade – onde já  ouvimos falar sobre isso?…

No auge da Guerra Fria, Bradbury vê o medo e o controle em torno do comunismo, especialmente durante o macartismo (de 1950 a 1957, milhares de americanos foram acusados de serem comunistas ou simpatizantes e tornaram-se objetos de agressivas investigações abertas pelo governo o indústrias privadas. A censura e a repressão de ideias eram comuns). A história da obra reflete essa preocupação, mostrando uma sociedade onde o conhecimento é suprimido para manter uma falsa “paz social”.

No livro, as pessoas vivem alienadas, imersas em distrações tecnológicas e entretenimento superficial, sem espaço para reflexão – para mim, “temidas telas infinitas”. O protagonista, Guy Montag, um bombeiro que queima livros – não deveria apagar? -, questiona a utilidade de sua função e descobre que o conhecimento é essencial para uma vida plena e significativa. Bradbury nos leva a pensar sobre o valor do pensamento crítico e o perigo de uma sociedade que rejeita o conhecimento em favor do entretenimento vazio.

Um dos temas centrais de Fahrenheit 451 é a busca incessante por felicidade. Na história, as pessoas acreditam que estão felizes porque estão sempre ocupadas com distrações, mas na verdade, estão vazias. Montag percebe que a felicidade verdadeira só pode ser encontrada por meio da reflexão e do autoconhecimento – algo que muitas vezes sacrificamos no mundo moderno, cheio de notificações e entretenimento instantâneo. Ou até mesmo do ócio, aquele tempo sozinho, sem fazer nada, absolutamente nada.

Hoje, embora não queimemos livros, enfrentamos uma forma diferente de censura. A autocensura e o consumo superficial de conteúdo, sejam por meio de redes sociais ou entretenimento rápido, nos afastam de discussões profundas. A busca por satisfação imediata muitas vezes nos impede de refletir sobre o que realmente nos faz felizes, assim como na sociedade distópica do livro.

No final, Bradbury nos alerta sobre os perigos de uma vida superficial. O conhecimento e a reflexão são fundamentais para nossa liberdade e felicidade verdadeira. Em tempos de hiper conectividade e distrações constantes, Fahrenheit 451 nos lembra de que precisamos parar, pensar e valorizar o que realmente importa: o pensamento crítico e o conhecimento profundo.




O que reaprendi com Harry Potter

Harry Potter foi, e ainda é, um fenômeno mundial –  não há o que negar. Mudou uma geração (me incluo aqui, sou uma louca apaixonada potterhead). Tinha 12 anos quando li pela primeira vez, encantada com a história e o universo mágico e, de tempos em tempos voltava a ler. A cada lançamento de edição eu comprava só pra ter aquela edição específica.  Finalmente, passei mais de 10 anos sem reler a saga…Até que o fiz.

Hoje aos quase 40 anos, o olhar está muito mais maduro e muitas sutilezas que nos passavam despercebidos  não passam mais!

E olha a surpresa que tive.

  1. Amor: a lição mais básica de todas. Quem consegue viver ser amor? Independente do relacionamento.

  • Amizade: você tem verdadeiros amigos? Aqueles a quem pode confiar a sua vida? Ou não abandonar aquelas pessoas que são importantes demais para serem deixadas de lado no meio do caminho.

  • A vida é dura: essa é a realidade. Podemos precisar de um café, cinco minutos para chorar e vamos sim, seguir em frente – sempre. Somos fortes o suficiente para isso. Só precisamos descobrir isso, e quando acontece, é fantástico, uma virada de chave.

  • Enfrentar nossos medos: temos que arriscar e ser corajosos. Encarando o medo de frente, percebemos que ele não era tão assustador assim. É “tá com medo, vai com medo mesmo!”

  • Lutar pelo que se acredita: mesmo que seus amigos/família não apoiem você. É difícil (e quem disse o contrário?), mas defenda suas crenças, ideias e ideais.

  • Nunca deixar de aprender: conhecimento nunca é demais e nunca é tarde para aprender o que for.

  • Respeitar as diferenças: JK nos ensinou que empatia com todos é o básico para a convivência. É respeitar as diferenças, pois só com a união de todos conseguimos evoluir.

  • Tentar melhorar sempre:  o que eu acho certo hoje, amanhã posso não achar mais e está tudo bem mudar de opinião. Só estamos tentando melhorar e crescer.

  • Ação e reação: se você for fazer parte na vida de alguém, faça isso de maneira produtiva. Qual marca vou deixar no coração dessa pessoa, o que ela vai lembrar de mim?

  1. Trabalho em equipe: levar em consideração a opinião de todos, e a trabalhar em conjunto.

  1. Não julgue: muitas vezes estamos enganados. Aprendi que existem 3 lados da história: lado A, lado B e o lado da verdade. E se eu não estava lá para ver, não posso dar minha opinião.

Lembrando que discordo dos posicionamentos pessoais de J.K Rowling, mas a saga criada por ela tem luz própria e pra mim, não deve sofrer interferência das ações da autora na vida real.

Essas são só algumas reflexões sobre Harry Potter a obra mas, existem muito mais. Se vocês quiserem, venho com mais depois.